72 ex-deputados são denunciados pela “farra das passagens”

9 de agosto de 2017

A “farra das passagens aéreas”, como ficou conhecido o escândalo de viagens irregulares compradas com verba parlamentar, rendeu a Justiça 28 denúncias pelo crime de peculato (desvio de dinheiro público), apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra 72 ex-deputados envolvidos no escândalo.

Revelada pelo site Congresso em Foco em 2009, a “farra das passagens” ficou assim conhecida pois, segundo revelações do site, na época, os políticos emitiam bilhetes para amigos e parentes através de suas cotas parlamentar de viagens.

Depois que o caso se tornou público, o então presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), anunciou mudanças no uso das passagens, restringindo viagens internacionais e limitando o benefício a parlamentares e assessores.

As denúncias do MPF se referem a casos investigados entre 2007 e 2009. As acusações foram enviadas para a Justiça Federal do DF, que agora vai analisar se abre processo contra os ex-deputados.

O MPF considera que os 72 ex-parlamentares investigados compraram 13.877 bilhetes no esquema irregular e gastaram R$ 8,3 milhões.

Investigação de políticos com foro privilegiado

No final de julho, a Procuradoria Geral da República (PGR) anunciou que vai apurar se há indícios do envolvimento de 199 políticos com foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal com a “farra das passagens”. Os políticos com foro são aqueles que atualmente possuem mandato parlamentar, ou são ministros do governo ou do Tribunal de Contas da União.

Na avaliação do procurador-geral, Rodrigo Janot, ainda não há indícios suficientes de atos ilegais dos 199 políticos. Por isso, de acordo com o procurador, é “razoável uma apuração inicial no âmbito do Ministério Público”.


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