Ao prestar contas, gestor da Santa Casa afirma que apoio da Câmara Municipal foi fundamental

14 de setembro de 2018

O arcebispo de Sorocaba, Dom Júlio Ende, e o padre Flávio Miguel, acompanhados de outros padres e gestores da Santa Casa, apresentaram aos vereadores os dados sobre o atendimento da entidade, que precisa de R$ 8,5 milhões por mês

Ao prestar contas, gestor da Santa Casa afirma que apoio da Câmara Municipal foi fundamental

Completando um ano à frente da Santa Casa de Misericórdia, os gestores da Irmandade que administra o hospital, presidida pelo padre Flávio Miguel Jorge Júnior, acompanhado do arcebispo de Sorocaba, Dom Júlio Ende, estiveram nesta quinta-feira, 13, na Câmara Municipal de Sorocaba, durante a sessão ordinária, prestando contas de seu primeiro ano à frente da instituição. Juntamente com o arcebispo e o presidente da Irmandade, também estiveram presentes os gestores padre Kojak, padre William e outros diretores da Irmandade.

“Alguns locais, como a terra onde Jesus viveu, onde São Paulo pregou, são considerados santuários, assim como outros locais, como o Santuário de Aparecida. A Santa Casa de Misericórdia é também uma forma de santuário, feito para acolher os pobres e sofredores, um santuário do sofrimento humano, não para perpetuá-lo, mas para dar alívio a ele”, afirmou o arcebispo, enfatizando que o objetivo da Irmandade que administra o hospital é fazer com que a Santa Casa seja “cada vez mais santa”, levando os doentes a se curarem de suas doenças, além de transformá-los interiormente.

“Não está sendo fácil. Recebemos a Santa Casa com muitos problemas e ainda há vários fatores que nos impedem de fazer o que gostaríamos de fazer”, afirmou o padre Flávio Miguel já no início de sua apresentação. Para afastar qualquer suspeita de que existam excesso de funcionários ou indicação política para os cargos da Santa Casa, o padre Flávio entregou aos vereadores uma lista com o nome de cada um dos 831 funcionários da Santa Casa, bem como a folha de pagamento por equipes que trabalham no hospital, desde a enfermagem até o pessoal da limpeza, passando também pelo Corpo Médico. A Santa Casa conta, por exemplo, com 458 enfermeiros, número considerado deficitário, com um salário médio mensal de R$ 2.819. No total, o hospital gasta cerca de R$ 2,5 milhões com o pagamento de seus funcionários, valor que sobe para R$ 3,2 milhões com os custos trabalhistas. A Santa Casa tem um déficit de 84 enfermeiros e 20 técnicos de enfermagem que, para ser sanado, necessitaria de investimento de cerca de R$ 300 mil.

Custos médicos – Também foi apresentada a média salarial de cada equipe médica que atua na Santa Casa, bem como os valores pagos às empresas prestadoras de serviços ao hospital, em áreas como exames laboratoriais e de imagem. “O gasto total com serviços médicos da Santa Casa é de R$ 3,2 milhões, com um total de 331 médicos que trabalham de forma direta ou indireta. Tem médico que ganha R$ 9 mil, tem médico que ganha R$ 30 mil, se ele dá mais plantões e atende mais especialidade. Mas esses números apresentados variam mês a mês”, afirmou o padre, observando que a folha de pagamentos representa 80% do custo da Santa Casa. Flávio Miguel agradeceu a Câmara Municipal, na pessoa do presidente Rodrigo Manga (DEM) e demais vereadores, bem como ao prefeito José Crespo, pelo envio da verba de R$ 1,6 milhão que possibilitou o pagamento do 13º salário dos funcionários.

O custo médio da Santa Casa, hoje, é de R$ 8,5 milhões por mês. Dos cerca de R$ 7 milhões recebidos pela entidade, o município arca com o maior aporte de recursos: R$ 4,7 milhões. Já o Estado entra com R$ 641 mil e o Governo Federal envia R$ 1,7 milhão por mês. No ano, a Prefeitura envia R$ 56 milhões para a Santa Casa; o Estado, 7,5 milhões, e o Governo Federal, 20 milhões. “Para se manter, a Santa Casa precisa de R$ 8,5 milhões, mensalmente. Se não fosse o repasse da Câmara de Vereadores, com aprovação do prefeito José Crespo, a Santa Casa teria quebrado”, afirmou o padre Flávio Miguel, que enfatizou que a verba enviada pelo Legislativo foi fundamental para que a população tivesse 15 leitos a mais durante o crescimento dos casos de gripe na cidade.

Empenho da Câmara – O presidente da Casa, vereador Rodrigo Manga, lamentou que o repasse de recursos do Governo Federal para a média e alta complexidade em Sorocaba esteja defasado há dez anos, como afirmou o padre Flávio, e adiantou que a Câmara Municipal, além dos recursos que já enviou à Santa Casa, está empenhada em economizar ainda mais para mandar mais recursos para o hospital, tendo, inclusive, lançado a Campanha “A Santa Casa é Nossa”, que tem como meta angariar R$ 12 milhões de recursos para o hospital.

O vereador Hélio Brasileiro (MDB), que é médico, elogiou a atual gestão da Santa Casa. Já o vereador Engenheiro Martinez (PSDB) fez indagações sobre a jornada de médicos e sobre o atendimento de oncologia e defendeu que os demais municípios da Região Metropolitana de Sorocaba, que utilizam os serviços da Santa Casa, também deveriam contribuir com o custeio do hospital. Respondendo a uma indagação da vereadora Iara Bernardi (PT), o padre Flávio disse que o hospital tem a receber da Prefeitura cerca de R$ 10 milhões, ainda da administração passada, uma vez que a administração do prefeito José Crespo está com os repasses para o hospital em dia. Iara Bernardi também defendeu uma reengenharia no atendimento de toda a região de Sorocaba, definindo o papel e o custeio de cada hospital da região.

Hudson Pessini (MDB) adiantou que emendas impositivas dos vereadores estão sendo ajustadas para que possam ser enviadas para a Santa Casa e elogiou a transparência da direção da Irmandade, afirmando que essa atitude da direção deveria ser um exemplo para todas as empresas e entidades que trabalham com o setor público. Vitão do Cachorrão (MDB) disse que está à disposição para lutar por mais recursos para a saúde e especialmente para a Santa Casa. A exemplo de Rafael Militão (MDB), Fernando Dini (MDB) e Silvano Júnior (PV), João Donizeti Silvestre (PSDB) elogiou o comprometimento, a capacidade de gestão e o trabalho de equipe da direção da Santa Casa, que, segundo ele, é um exemplo de ética para todo o país.

Luis Santos (Pros) cobrou das instituições, como o Ministério Público, o Judiciário e a imprensa, que corram atrás do rombo entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões da gestão anterior da Santa Casa, que, se recuperado, poderia ajudar muito a entidade. Irineu Toledo (PRB) indagou sobre possíveis doações privadas para a Santa Casa e defendeu que a Santa Casa também ofereça atendimento particular para que, com o dinheiro arrecadado dos ricos, ela possa custear o atendimento dos pobres. O padre Flávio disse que a Santa Casa tem recebido doações de empresários. Quanto ao atendimento privado, disse que hoje não é possível, pois, para isso a Santa Casa precisaria de mais leitos.

Francisco França (PT) indagou sobre o projeto Santa Sorte e sobre os efeitos da Lei n° 11.763, baseada em proposta do vereador Hudson Pessini, que permite doações de moradores de Sorocaba à Santa Casa por meio da fatura de suas contas de água. O padre Flávio Miguel respondeu que o hospital recebe 5% do valor de face dos bilhetes da Santa Sorte, explicou que outras entidades, como a Apae, também são beneficiadas e ressaltou que há um cuidado grande com a fiscalização do sorteio e os aspectos financeiro, logístico e contábil do projeto. Sobre a possibilidade de doação através da conta do Saae, o padre explicou que ainda há questões jurídicas a serem avaliadas para, em seguida, ter início uma campanha de divulgação da forma como os munícipes poderão contribuir com a Santa Casa.


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