Caixa anunciará mudança no crédito da casa própria

20 de agosto de 2019

Caixa anunciará mudança no crédito da casa própria

A Caixa Econômica Federal deve anunciar ainda nesta terça-feira, 20, mudanças importantes no financiamento da casa própria. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro deu um “spoiler”, dizendo que será uma mudança “histórica”.

Ao que tudo indica, o banco deve anunciar um tipo de crédito imobiliário corrigido pela inflação. O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, já havia sinalizado em maio a intenção de adotar o IPCA para novos contratos imobiliários. Para completar, na sexta-feira,16, o governo autorizou o uso do índice de inflação (IPCA) para reajustar as prestações do financiamento imobiliário.

Como é hoje?

Atualmente, os contratos feitos pelo Sistema Financeiro da Habitação são corrigidos pela TR (Taxa Referencial). A Caixa cobra juros entre 8,5% e 9,75% ao ano mais TR nas suas principais linhas de crédito imobiliário, para compra de imóveis novos ou usados. Essas taxas não são válidas para o Minha Casa, Minha Vida, que cobra juros mais baixos. Como a TR é igual a zero desde 2017 devido à queda da taxa Selic, na prática os juros do financiamento imobiliário ficam limitados à taxa prefixada pela Caixa.

O que deve mudar?

Agora, será possível fazer a correção por meio do IPCA, o índice oficial de inflação. O IPCA previsto para este ano é de cerca de 3,8%. A dúvida é qual taxa de juros prefixada a Caixa usará junto com o novo indexador. Se for manter o mesmo nível de juros praticado atualmente (9% ao ano, em média), os novos contratos deverão ter uma taxa da ordem de 5% ao ano mais IPCA. A expectativa, porém, é o que banco efetivamente reduza o nível de juros, acompanhando a queda da Selic. Se for confirmada essa tendência, os novos contratos poderão ter taxa da ordem de 2% a 3% ao ano mais IPCA.

Como isso afeta o consumidor?

Especialistas ouvidos pelo UOL alertaram que o financiamento imobiliário indexado pelo IPCA deve ficar mais caro e arriscado para quem deseja comprar a casa própria. O problema está na grande oscilação do índice de inflação em longos períodos de tempo. Um contrato imobiliário costuma durar entre 15 e 30 anos.

Mas a inflação não está controlada?

Embora a inflação no Brasil tenha ficado abaixo da meta estabelecida pelo Banco Central nos últimos três anos, nem sempre o índice se comportou como o esperado.

Em 2015, por exemplo, o IPCA superou os 10% no ano. Eventuais mudanças de preço nos alimentos, nos combustíveis ou na energia elétrica, por exemplo, podem provocar a disparada da inflação, fazendo aumentar o custo do financiamento imobiliário.

IPCA já é usado em outros contratos?

O uso do IPCA como indexador de contratos de crédito imobiliário não é uma novidade no Brasil, mas os financiamentos com esse indexador costumam ter prazo mais curto. “As fintechs de crédito e alguns bancos menores fazem empréstimos habitacionais dessa forma. Só que o prazo dos financiamentos não passa de dez anos. No caso da Caixa, estamos falando, a princípio, em um empréstimo de até 30 anos”, afirmou Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa, plataforma digital especializada em crédito imobiliário.

Que benefícios essa mudança pode trazer?

Os especialistas em crédito habitacional acreditam que o uso do IPCA como indexador dos contratos imobiliários pode estimular a concorrência entre grandes bancos, fintechs e outras empresas de crédito. O próprio Banco Central declarou que o objetivo do uso do IPCA é estimular a concorrência.

Fonte : UOL / Foto: Reprodução


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