Deficientes visuais encontram dificuldades nas ruas da cidade

6 de julho de 2015

Projetos de urbanização específicos podem garantir maior autonomia e mobilidade urbana

Deficientes visuais encontram dificuldades nas ruas da cidade

Para substituir o sentido da visão afetado, o tato se torna mais sensível (Foto: Ilustração)

Visão. Alguns se adaptam a viver sem ela, outros nunca a tiveram. A deficiência visual é um mal que assombra milhares de pessoas no mundo todo e segundo a Organização Mundial da Saúde, as principais causas de cegueira no Brasil são catarata, glaucoma, retinopatia diabética, cegueira infantil e degeneração macular. No país, mais de 6.5 milhões de pessoas têm alguma deficiência visual, 528.624 pessoas são incapazes de enxergar (cegos), outras 6.056.654 pessoas possuem grande dificuldade permanente de enxergar (baixa visão ou visão subnormal), e 29 milhões de pessoas declararam possuir alguma dificuldade permanente de enxergar, ainda que usando óculos ou lentes.
Entre as principais dificuldades enfrentadas por deficientes visuais na cidade de Sorocaba, segundo a administração da Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais (ASAC), estão, principalmente, a falta de sinalização e piso tátil e comerciantes ambulantes nas calçadas que dificultam muito a locomoção daqueles que não enxergam. Porém, existe em uma das ruas da cidade, um semáforo que auxilia esses deficientes e dão um aviso sonoro ao pedestre no momento exato em que ele pode fazer a travessia sem perigo algum.
O senhor Claudinei Nunes, 72 anos, professor aposentado teve sua vista enfraquecida com o tempo, leciona voluntariamente no curso de braile na ASAC e afirma que deveria haver uma maior colaboração por parte das pessoas, principalmente na hora de construir uma calçada. E acredita que deveria haver um plano da administração pública para que isso fosse corrigido e trouxesse mais segurança para as pessoas com deficiência visual. “Tem hora que a gente quase cai, porque fazem degraus nas calçadas e para a gente, que tem problema na visão, fica difícil. Eu mesmo já cai uma vez. A administração deveria ter um plano para corrigir essas imperfeições nas calçadas que oferecem perigo ao deficiente.”
Fabiano Lopes de Castro, 38 anos, tem opinião diferente e acredita que se cada um fizesse sua parte as coisas seriam bem melhores. Deficiente visual há onze anos, ele conta com o auxílio da bengala, da qual está sempre acompanhado quando sai nas ruas. Fabiano afirma nunca ter tido problemas com as calçadas e ruas e ainda ressaltou que melhorias para serem feitas sempre vão existir, mas que é preciso se adaptar ao que já se tem para que eventuais problemas sejam evitados. “Melhorias para serem feitas, sempre vão existir, não adianta criticar esse ou aquele. Se as pessoas fizessem a sua parte as coisas seriam bem melhores. Não é só a administração, as pessoas em si também têm que colaborar”, finaliza.
A inclusão social dos deficientes visuais depende, em certos, casos da poder público e não da iniciativa privada. Principalmente no que se refere à melhor mobilidade urbana, oferecendo assim uma maior autonomia para os que tem a visão afetada.

A leitura em braile

Assim como a linguagem de sinais é essencial para pessoas que não falam nem escutam, o braile é uma alternativa bastante interessante para as pessoas que não enxergam agregarem conhecimento. Ao aprender o Sistema Braile, a pessoa com deficiência visual ampliará sua socialização e conhecimentos, irá descobrir ou redescobrir o prazer da leitura e escrita, fundamental para seu desenvolvimento como cidadão, assegurando-lhe seu espaço e individualidade.
Um dos cursos ministrados na Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais, o braile é um dos códigos de apoio da língua, e sua importância está no fato de habilitar o ser humano a compreender o mundo através de um sistema organizado de símbolos, substituindo o alfabeto convencional por um alfabeto de pontos em relevo, o que o possibilita a escrita e a leitura.
O processo pedagógico da aprendizagem começa no primeiro momento em que o aluno começa a ter uma avaliação pelos professores de como anda o seu tato para ver se precisa fazer algum exercício para melhorar, dai já começam os treinamentos através de umas réguas que simulam uma célula braile que tem seis pontos e através disso vão ensinando como se faz cada letra do alfabeto e também letras acentuadas, para depois passarem para uma régua maior que tem de seis a oito células mais ou menos que é aonde aprendem a escrever alguma coisa.
Claudinei Nunes leciona no curso de braile na Associação e afirma que para se aprender com êxito o braile basta ter uma boa memorização e um bom tato, pois existem sessenta e três combinações, mas que sem o tato o aprendizado é difícil de acontecer.
Na biblioteca municipal de Sorocaba existem publicações em braile nas mais diversas categorias e também áudio-livros que prometem ajudar essas pessoas cada vez mais nesse aprendizado.