Do caixa 2 às verbas de gabinete, Onyx já coleciona crises

9 de janeiro de 2019

Do caixa 2 às verbas de gabinete, Onyx já coleciona crises

A mais recente polêmica envolvendo o ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, envolve o uso da verba de gabinete. Na prestação de conta, foi apresentado uma sequência de notas fiscais sequenciais para comprovar consultoria tributária para o seu mandato. A empresa era de um amigo. Em pouco tempo no holofote do poder, Onyx coleciona desencontros com outros membros da equipe do governo Jair Bolsonaro e problemas com a Justiça.

1. VERBA DE GABINETE

Onyx Lorenzoni (DEM-RS), usou 80 notas fiscais de uma empresa de consultoria pertencente a um amigo de longa data para receber RS 317 mil em verbas de gabinete da Câmara dos Deputados entre os anos de 2009 e 2018. As informações foram reveladas pelo jornal “Zero Hora” na manhã desta terça-feira, 8, e confirmadas pelo “Estado”. Entre as 80 notas, 29 foram emitidas em sequência, o que indica que Onyx teria sido o único cliente da firma. Ele nega irregularidades.

2. ‘DESPETIZAR’

Onyx anunciou que vai exonerar todos os funcionários com cargos em comissão e gratificação na sua pasta, número calculado por ele em 320. Sete horas depois de pregar um pacto com a oposição, Onyx disse que o governo de Jair Bolsonaro não pode manter servidores petistas ou de ideologias que não se identificam com o projeto do governo.

A medida foi criticada por especialistas. A “Coluna do Estadão” mostrou que a medida não excluiu grávidas nem mães em licença-maternidade. A assessoria dele diz que as demitidas “receberão direitos e indenizações, como determina a lei”.:

Depois de Onyx dizer que o pente-fino seria feito em todo o governo, alguns ministros disseram que não iriam seguir o exemplo.

3. DESENCONTRO COM GUEDES E BOLSONARO

As idas e vindas em torno do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da proposta de reforma da Previdência revelaram uma disputa interna na equipe do presidente Jair Bolsonaro logo na primeira semana do novo governo. De um lado está o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e, de outro, o ministro da Economia, Paulo Guedes. O primeiro é o capitão do time e o segundo tem a chave do cofre.

A elevação do IOF para compensar a perda de arrecadação com a extensão de incentivos às regiões Norte e Nordeste, anunciada na sexta-feira, 4, pelo presidente e depois descartada pelo secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, chegou mesmo a ser cogitada por Guedes. O “Estado” apurou que o núcleo político do governo teria, no entanto, vencido a queda de braço e conseguido derrubar a proposta, considerada impopular.

Isso tudo depois de Onyx ter desmentido o presidente horas depois do anúncio de aumento. Não foi o primeiro desentendimento entre os dois. Em novembro, no início da transição, Os rumores sobre divergências na equipe do então presidente eleito aumentaram quando Guedes afirmou, na terça-feira, que Onyx era “um político falando de economia”.

Após o presidente Jair Bolsonaro determinar a revisão nas contas do governo nos últimos dias de 2018. Onyx informou que foi detectada uma “movimentação incomum” no final da gestão anterior. O ministro anunciou ainda que as primeiras medidas do novo governo vão ser anunciadas na semana que vem.

Ele foi rebatido pelo ministro anterior, Eliseu Padilha, que disse que a execução orçamentária para 2018 foi encaminhada por Projetos de Lei Orçamentários ao Congresso “de forma pública e transparente” e que é “normal” haver transferência de recursos entre os ministérios entre os que possuem maior e menor execução orçamentária.