IBGE: 10% mais ricos têm rendimento 13 vezes maior que os 40% mais pobres

8 de novembro de 2019

IBGE: 10% mais ricos têm rendimento 13 vezes maior que os 40% mais pobres

Os dados, divulgados na última quarta-feira, 6, mostram que, no ano passado, o rendimento dos 10% mais ricos foi 13 vezes maior que o dos 40% mais pobres. A desigualdade de rendimentos cresceu no país em 2018 e alcançou o maior índice da série histórica da Síntese de Indicadores Sociais, iniciada em 2012 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

A pesquisa revela que, desde 2016, o país passou a ter um aumento do rendimento médio das camadas mais ricas. Enquanto isso, houve queda entre os mais pobres, o que levou à diferença recorde.

“Até 2015 houve redução da desigualdade da renda do trabalho, segundo a razão de rendimentos habituais. A partir de 2016, observou-se movimento contrário, que, embora tenha permanecido estável no ano seguinte, se intensificou no último ano, alcançando 13 vezes, resultado mais alto da série. Quando o mercado de trabalho se mostrou aquecido, a dispersão dos rendimentos dos ocupados se tornou menor, indicando maior ganho”, explica o estudo.

Para o IBGE, a alta na diferença entre estratos veio porque a renda dos mais ricos cresceu em 2018. Já a dos mais pobres caiu no mesmo período. “Até 2015, a renda dos mais pobres crescia mais do que a dos ricos. Entre 2017 e 2018, o rendimento dos 10% mais ricos teve alta de 4,1%, enquanto os 40% mais pobres tiveram queda de 0,8%”, aponta.

Em termos regionais, o Maranhão foi o estado que apresentou o menor rendimento médio: R$ 607. Já o Distrito Federal teve o maior: R$ 2.407.

O levantamento ainda revela que 57,6% dos rendimentos domiciliares per capita em 2018 eram iguais ou inferiores ao valor do salário mínimo (R$ 954 na época). A partir de 2015, o IBGE também apontou que foi percebida uma queda na parcela proveniente dos trabalhos em relação a rendimentos de outras fontes e de aposentadorias e pensões. “Isso pode estar relacionado com o aumento da desocupação observada no mesmo período. Ainda assim, o trabalho permaneceu como a principal fonte dos rendimentos, correspondendo a 72,4% do rendimento total em 2018, ao passo que aposentadoria e pensão (20,5%) e outras fontes (7%) correspondiam a uma parcela menor”, afirma.

Ainda sobre rendimentos, a pesquisa voltou a mostrar diferenças entre gêneros e raças. “Em 2018, os brancos ganhavam em média 73,9% mais do que pretos ou pardos. Os homens ganhavam, em média, 27,1% mais que as mulheres”, diz

As desigualdades de rendimento são marcantes quando a análise da distribuição do rendimento domiciliar per capita é feita para grupos de cor ou raça da população. “Enquanto 16,4% da população branca estava entre os 10% com maiores rendimentos, apenas 5% da população preta ou parda encontrava-se nessa mesma classe de rendimentos em 2018. O inverso acontece entre os 10% com menores rendimentos, que abarcavam 13,5% da população preta ou parda diante de 5,5% da população branca. Em um cenário de perfeita igualdade racial haveria 10% das pessoas de cada grupo de cor ou raça distribuídas uniformemente pelas dez classes de rendimento.”

Em 2018, os negros tiveram rendimento médio domiciliar per capita de R$ 934, diante do rendimento médio de R$ 1.846 das pessoas de cor ou raça branca. “Entre 2012 e 2018, houve ligeira redução dessa diferença, explicada por um aumento de 9,5% no rendimento médio de pretos ou pardos, ante um aumento de 8,2% do rendimento médio dos brancos”, diz.

Fonte: UOL Cotidiano