Manifestações contra bloqueio de verbas na educação em todo país fragilizam o governo

16 de maio de 2019

Manifestações contra bloqueio de verbas na educação em todo país fragilizam o governo


O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) enfrentou nesta quarta-feira a primeira grande manifestação nacional que reuniu multidões de estudantes, professores e funcionários da área da educação, de universidades e escolas públicas e privadas, nos 26 estados e no Distrito Federal. As manifestações começaram por volta das 5h, no Ceará, e se espalharam por todos os estados do Brasil até o final do dia.

Os protestos foram contra o bloqueio de verbas na educação, os ataques do ministro Abraham Weintraub às universidades federais e cursos de humanidades, além de oposição a projetos como o Escola sem Partido e a reforma da previdência.

Em Sorocaba, o ato teve início na praça Coronel Fernando Prestes e foi encerrado por volta das 12:00h na rua Doutor Álvaro Soares, depois de aproximadamente 2 horas de passeata. Por meio de nota, a Secretaria da Educação (Sedu) de Sorocaba diz respeitar toda manifestação democrática e o direito a paralisações garantidas por lei. No entanto, em respeito aos estudantes e suas famílias, a pasta está mobilizada para que as unidades mantenham o número mínimo de funcionários necessários para garantir o atendimento aos alunos

No mesmo dia, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, esteve na Câmara dos Deputados para falar dos cortes.

Para especialistas, o fato de o movimento ter sido nacional é um sinal de alerta para o governo. Além disso, avaliam ainda, que essas manifestações criam um clima de incerteza e fragilizam politicamente o Poder Executivo. “O governo chegou a um ponto muito arriscado, semelhante ao que [a ex-presidente] Dilma Rousseff passou em 2013 [durante os protestos de junho]. Em apenas cinco meses, Bolsonaro já criou problemas com a classe política, teve queda na sua popularidade e, por fim, irritou a sociedade até ela ir às ruas”, avalia Rodrigo Prando, cientista político da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Segundo o analista, a mensagem de insatisfação é clara e não pode ser reduzida a um nicho. “Ali tem estudantes, pais de alunos, professores e membros de toda a sociedade, não dá para falar que é só sindicato e pessoas da esquerda”, afirma Prando.