Operação Casa de Papel: 18 mandados e quatro secretarias sob suspeita

8 de abril de 2019

Operação Casa de Papel: 18 mandados e quatro secretarias sob suspeita

A Polícia Civil de Sorocaba e Ministério Público realizaram nesta segunda uma operação denominada Operação Casa de Papel, que há 6 meses investiga desvio de dinheiro, fraudes em licitações e corrupção de agentes públicos na Prefeitura de Sorocaba, envolvendo três secretarias municipais.

Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão nas secretarias
de Cultura, de Comunicação e Eventos, da Fazenda e de Licitações e Contratos e na casa dos secretários Werinton Kermes, Eloy de Oliveira, Marcelo Regalado e Hudson Zuliani, titulares das respectivas pastas, que foram conduzidos coercitivamente até a Prefeitura para auxiliar na apreensão dos documentos, além do empresário Felipe Bismara, que mantém contratos com a Prefeitura. Todos negaram irregularidades e, segundo os policiais, ninguém foi preso

A operação foi batizada de Casa de Papel, em referência à série que conta a história de um grupo de ladrões que executa um assalto cinematográfico à Casa da Moeda da Espanha.

De acordo com a polícia, a operação tem o objetivo de desarticular uma “organização criminosa que estaria atuando na prefeitura”. Segundo as investigações, o grupo criminoso é formado por secretários municipais, servidores públicos e empresários. A gama de crimes cometidos vai desde contratos superfaturados até serviços contratados e não prestados.

Segundo a promotora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Maria Aparecida Castanho, a maioria dos contratos envolve a terceirização de serviços. “Esses contratos possibilitam a abertura para que se cometa fraudes. Pessoas que não teriam nenhuma condição de prestar um serviço à prefeitura passam a ser contratadas sob o manto da subcontratação. É uma terceirização da terceirização”, explica. A somatória dos contratos que estão sob suspeita excede R$ 25 milhões.

As maiores suspeitas se concentram nas secretarias de Comunicação e Eventos e Cultura e Turismo. “Mais de 15 contratações foram feitas com a mesma empresa, nos mais diversos serviços, como fornecimento de alimentação, desentupimento de esgoto, contratação de artistas, fornecimento de gradis, palanque, som, uma infinidade de serviços”, diz a promotora.

Os documentos apreendidos foram encaminhados para a Delegacia Seccional de Sorocaba, onde Felipe Bismara e os secretários Werinton Kermes e Eloy de Oliveira foram levados para prestar depoimento. O empresário Neto Bocolon, do jornal Gazeta do Interior, também foi levado para prestar depoimento na unidade policial.


Tags:,