Senador Izalci Lucas, com 85 assessores, emprega o mesmo que empresa média

24 de junho de 2019

Senador Izalci Lucas, com 85 assessores, emprega o mesmo que empresa média

Izalci Lucas é contador, professor e senador da República (PSDB-DF) eleito no ano passado. Político com mandato desde 2003, quando virou deputado distrital, o mineiro radicado em Brasília ganhou projeção nacional em abril, quando foi cotado para assumir o Ministério da Educação no governo Jair Bolsonaro. No entanto, Izalci ficou famoso já nos primeiros meses de 2019 por empregar o maior número de funcionários no Senado: 85 assessores parlamentares pagos com dinheiro público.

Segundo dados compilados pela ONG Ranking dos Políticos, ao todo, os 81 senadores da Casa empregam 2.764 pessoas, média de 34 assessores por parlamentar. Com seus 85 auxiliares, Izalci gasta R$ 553 mil em folha de pagamento todo mês, ou o equivalente a R$ 6,6 milhões por ano. Se fosse uma empresa do ramo de serviços ou comércio, seu gabinete seria de médio porte, segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), esse tamanho de firma tem entre 50 e 99 contratados.

O senador emprega 60 pessoas em seu gabinete: quatro efetivos e 56 comissionados. Em escritórios de apoio, são mais 25 comissionados. Os maiores salários vão para os efetivos, com proventos entre R$ 21,9 mil e R$ 29,4 mil por mês. Já os comissionados ganham entre R$ 2.249 (auxiliar parlamentar júnior) e R$ 17,9 mil (secretário parlamentar). São mais de 20 cargos, como auxiliar, ajudante e assistente parlamentar, divididos entre júnior, intermediário, sênior e pleno.

“O caso chama ainda mais a atenção porque Izalci representa o Distrito Federal”, afirma o diretor-executivo do Ranking dos Políticos, Renato Dias. “Muitas vezes a justificativa dos políticos é que eles precisam de muita gente para intermediar o trabalho no DF e em seu reduto eleitoral. Mas em Brasília é difícil entender essa justificativa, porque ele já mora no local que representa.”

Segundo o secretário-geral da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, diferentemente das regras bem definidas para os deputados federais –que dispõem de uma verba mensal de R$ 111 mil para contratar de 5 a 25 secretários parlamentares–, as normas no Senado “são um emaranhado legal”.

Fonte: UOL / Foto: Reprodução-Facebook