Sorocaba na copa do mundo

17 de junho de 2018

Sorocaba na copa do mundo

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Ademir de Barros é natural de Cambará, no Paraná e chegou a Sorocaba ainda criança. Atuou pelo time amador do São Bento, onde assinou contrato aos 17 anos, integrando o elenco do time Beneditino de 1959 a 1965, quando foi para o São Paulo e logo depois para a seleção brasileira, participando inclusive da Copa do Mundo de 1966, juntamente com o Rei Pelé e outras feras do futebol. Também teve passagens pelo Francana e pelo Londrina. Paraná como é mais conhecido nos contou um pouco sobre sua carreira e sua passagem pela seleção brasileira.

 

Zona Norte Notícias – Quando você iniciou a carreira e percebeu que era isso que queria fazer?

Paraná – Eu falando a verdade nunca pensei em ser jogador de futebol. Porque eu acho que já estava no sangue, né?! Porque toda família jogava. Meu pai jogava, meus tios jogavam e então eu desde pequeno participando. Lá em Cambará (PR) os jogadores moravam na pensão da minha vó e na outra pensão da minha tia e no sábado não tinha nada pra fazer e eles tinham os dois toques, onde eu também entrava. Criancinha e entrava, já com dez anos. Inclusive fazia gol e eles me carregavam, tudo. Então eu acho que já tava no sangue o futebol.

ZN Notícias – Então você veio para Sorocaba e iniciou sua carreira aqui no São Bento?

Paraná – Quando vim pra Sorocaba ficamos dois meses ali na Santa Teresinha e depois  fomos para Arvore Grande, onde tinha um campo lá perto de casa e não existia time de molecada. Então eu e meus irmãos íamos para o campo e começou a aparecer todo mundo lá. Depois fui treinar no amador do São Bento aos 13 anos e dai já fiquei jogando com eles, me inscreveram no campeonato, mas com outro nome pois tinha que ter 15 anos. Depois aos 14 fui para o Barbero e joguei no time deles após eles pedirem para o meu pai para eu trabalhar lá e fazer parte do time da fabrica. Disputei dois campeonatos para o Tebas lá e logo depois o São Bento me chamou para o amador quando assinei contrato aos 17 anos em 1959.

ZN Notícias – Nos conte o caminho que trilhou até a copa do mundo de 66.

Paraná – No campeonato de 59 ficamos para a final, mas dependíamos de um resultado quando fomos jogar contra o Metidieri e eles não deixaram jogar, agredindo inclusive o Irineu Corrá nosso zagueiro e depois foi para julgamento esse caso. Depois o tribunal da Federação julgou o caso e em 1960 nós ganhamos e pudemos jogar a final. O jogo contra o Corinthians empatamos 1 a 1 em casa e depois ganhamos de 6 lá em Votorantim. Eu jogando de centroavante. Até porque eu queria jogar, então não importava a posição. Dai fomos seguindo e depois de algum tempo o Nelsinho ponta esquerda não veio jogar e o Moacir falou comigo “Joga de ponta esquerda?” Falei “Ué, jogo”. Eu queria era jogo. Dai fiquei na ponta esquerda, fomos campeões paulista da segunda divisão, disputamos o campeonato de 63 ficando em quarto lugar, em 64 ficamos entre os 6 primeiros e dai em 65 fui para o São Paulo. Fui para o São Paulo em Março e em Maio fui convocado para a seleção para participar de um torneio na Europa. Era eu e o Rinaldo ponta esquerda, que jogou o primeiro jogo e depois eu joguei os outros jogos. O que pode me proporcionar a convocação para a copa de 66 na Inglaterra. Tive o privilégio de ir para uma copa. Pena que não ganhamos. Foi uma grande satisfação poder ter servido a seleção. Eu acho que todo jogador pensa nisso em jogar uma copa. Gostei e foi um grande privilégio.

ZN Notícias – Qual foi o jogo mais marcante para você na seleção brasileira?

Paraná – Todos os jogos que eu jogava era tudo a mesma coisa. Não tem! Eu gostava de jogar, então para mim qualquer lugar que tava jogando tava bom.

ZN Notícias – Tem alguma história de bastidor da copa da Inglaterra que você possa nos contar?

Paraná – Na verdade aconteceu antes aqui já. Eu fui convocado para a copa e tinha um jornalista que acompanhava a seleção e não gostava de mim. Inclusive, ele que trouxe o Amarildo para a Copa de 66. Eu jogando e até treinando ele metia o pau em mim, dizendo que eu não fazia o treino direito. E depois do jogo lá contra Portugal ele veio bater nas minhas costas. Chegou, veio, falou “Pô, Parabens! Você foi o melhor”. Nossa! Ai eu dei-lhe um soco na cara, né?! Dai o Carlos Nascimento falou assim “É, não precisa mais esperar convocação para a seleção porque não vem”. Eu falei: Eu prefiro ficar jogando lá no meu Santos da Arvore Grande do que jogar aqui. Então foi isso dai. Porque foi um negocio errado né?! Jornalista mandar na seleção. Mas a seleção perdeu mesmo aquela copa por causa da direção. O Paulo Machado de Carvalho foi bicampeão comandando a seleção de 58 e 62 e depois o pessoal do Rio tirou ele. Dai todo mundo mandava. Tínhamos até preparador físico que era da pesca submarina. Eu acho que foi tudo bagunçado. Perdemos o jogo contra a Hungria, que foi o segundo do torneio e contra Portugal muitos jogadores não quiseram participar. Mas eu e Pelé fomos para o jogo, mesmo estando no departamento médico. O “Rei” estava com o joelho machucado e eu com alguns pontos na perna.

ZN Notícias – Se você jogasse nos dias de hoje se identificaria com qual grande equipe? Ou só jogaria pelo São Paulo mesmo?

Paraná – Eu acho que se fosse jogar agora a gente não sabia como que ia acontecer. Porque igual meu pai falava no meu tempo que a gente não servia nem para amarrar as chuteiras deles. Então eu não sei como seria. Se iriamos conseguir entrar nesse ritmo de agora. Igual eu falei, eu gostava de jogar. Então qualquer time que fosse para jogar e eu entrasse já tava bom.

ZN Notícias – Qual a diferença que você acha do futebol de hoje para aquela época que você jogou na seleção, no São Paulo?

Paraná – Eu acho que na época que a gente jogava tinha mais criatividade. Agora as equipes não tem mais meia armador. O jogo era mais jogado e era mais bonito. Hoje em dia os times entram com três, quatro volantes. Antigamente, por exemplo, tínhamos o Dudu, que jogava sozinho de volante e pegava tudo ali. O Ademir nem marcava ninguém no jogo. Agora já não tem mais. Hoje jogam mais para ganhar de 1 a 0 ou perder de pouquinho.

ZN Notícias – Nessa copa de 2018, qual o seu palpite, o Brasil leva ou pode ficar pelo caminho?

Paraná – Eu não tenho condições  de falar qual seleção esta melhor ou pior, porque eu não assisto aos jogos. Inclusive eu posso falar que sou um daqueles que não viu o Brasil perder de sete. Não assisto nenhum jogo, nem do São Bento, nem do São Paulo, nem da Seleção. Eu sei das notícias por ler no jornal, ouvirem falar. Às vezes minha filha fala, as vezes vou em um barzinho e o pessoal está falando e eu só ouço o que falam.


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