Temer é líder da organização criminosa, diz Bretas

21 de março de 2019

Temer é líder da organização criminosa, diz Bretas

Brazilian President Michel Temer gestures as he attends a ceremony to launch the Agricultural and Livestock Plan 2017/2018 at Planalto Palace in Brasilia, Brazil, on June 7, 2017. President Michel Temer expressed confidence Wednesday that he will not be toppled by a growing corruption scandal as Brazil's election court debated whether to strip him of his mandate. Temer announced the release of a line of credit for medium and large producers. / AFP PHOTO / EVARISTO SA (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

O ex-presidente Michel Temer foi preso hoje em São Paulo pela Operação Lava Jato do Rio, sob suspeita de ter recebido propina por meio de um contrato de empreiteiras com Eletronuclear, estatal responsável pela construção de Angra 3. O pedido de prisão foi expedido pelo juiz federal Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Federal Criminal que  afirma que Temer (MDB) é o “líder da organização criminosa”  responsável por atos de corrupção, descritos pela PR-RJ (Procuradoria da República no Rio de Janeiro), que apontam uma movimentação de R$ 1,8 bilhão de órgãos públicos e empresas estatais.

“Por sua posição hierárquica como vice-presidente ou como presidente da República do Brasil, e a própria atitude de chancelar negociações do investigado Lima o qual seria, em suas próprias palavras, a pessoa ‘apta a tratar de qualquer tema’, é convincente a conclusão ministerial de que Michel Temer é o líder da organização criminosa a que me referi, e o principal responsável pelos atos de corrupção aqui descritos”, diz o juiz no texto. O “Lima”, mencionado por Bretas é o coronel João Baptista Lima Filho, apontado como principal operador de Temer.

O Ministério Público Federal (MPF) avalia que há provas contundentes no processo que levou o ex-presidente Michel Temer à cadeia . Ele é acusado de liderar uma organização criminosa por aproximadamente 40 anos, sempre acompanhado do amigo e comparsa João Batista Lima Filho, coronel da reserva da Polícia Militar.

“É inimaginável que você tenha a prisão de [outras] pessoas com o fim de debelar sua atuação criminosa e o líder continuar solto”, afirmou o procurador regional da República José Augusto Vagos. Ele citou outros membros da quadrilha presos em outras ocasiões: Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures.

Na “Operação Descontaminação”, nome da ação realizada nesta quinta, o ex-ministro de Minas e Energia e ex-governador do Rio de Janeiro Moreira Franco também foi preso. O cerne dos crimes estava na contratação de empresas para desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, especialmente envolvendo a Argeplan, de Lima.

O documento foi assinado por Bretas há dois dias, mas a prisão preventiva só foi cumprida na manhã de hoje. Além dele, o despacho também pede a prisão de sete pessoas. Como a prisão é preventiva, não há prazo determinado para a soltura.

 


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