Venezuela: militares brasileiros temem alinhamento de Ernesto Araújo com EUA para invasão armada

30 de abril de 2019

Venezuela: militares brasileiros temem alinhamento de Ernesto Araújo com EUA para invasão armada

Pela terceira vez desde que assumiu, o ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo, está em visita aos EUA e encontrou-se na segunda-feira (29) com o secretário de Estado, Mike Pompeo, e o assessor de segurança Nacional de Donald Trump, John Bolton. Ambos são os auxiliares diretos do presidente norte-americano mais radicais na defesa de uma intervenção armada dos EUA para derrubar o governo Nicolás Maduro, na Venezuela. Nos EUA, este tipo de intervenção em outros países costuma ser usada como estratégia em campanhas eleitorais.

Os comandantes militares brasileiros estão incomodados com esta viagem aos EUA, pois são absolutamente contrários à intervenção armada. Já Araújo, embora publicamente não admita, tem demonstrado disposição de se alinhar com a posição que os EUA vier a tomar.

Há temores de uma tentativa de tomada de poder durante manifestações convocadas pelo grupo do autodeclarado presidente venezuelano, Juan Guaidó. Maduro reagiu também convocando aliados às ruas. O conflito era esperado só para esta quarta-feira, 01/05. Neste caso, pode ser deflagrada uma disputa armada que dê aos EUA a desculpa para intervir. O temor dos militares brasileiros é que esta estratégia para forçar o Brasil a entrar no conflito, “para evitar mais derramamentos de sangue”, esteja sendo combinada entre os auxiliares de Trump e Araújo.

As divergências entre os militares brasileiros e o grupo de Araújo quanto ao tratamento à Venezuela (leia-se os filhos de Bolsonaro e o guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho) estão na base de todas as trocas de farpas das duas alas do governo. O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, não passa um dia sem ser atingido por petardos dos bolsonaristas mais radicais. Ele comandou pessoalmente a operação abafa dos militares contra a participação brasileira na tal “ajuda humanitária” à Venezuela lidera pelos EUA e pela Colômbia.

Ministro-chefe da Secretaria de Governo, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz também entrou na linha de tiro de Olavo de Carvalho e dos filhos do presidente. Santos Cruz tem se oposto publicamente à intervenção na Venezuela.

Fonte: UOL Internacional

Foto: Reuters/ Carlos Garcia Rawlins