Zoo de Sorocaba abriga animais idosos

24 de setembro de 2018

Zoo de Sorocaba abriga animais idosos

Assim como os seres humanos, o ciclo de vida dos animais passa pelas fases de infância, adolescência, juventude e velhice. O Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” abriga alguns animais considerados idosos. Os integrantes desse time da terceira idade são o casal de elefantes asiáticos, Sandro e Haisa; o chimpanzé Black; três pelicanos; os hipopótamos Yudi e Iara; e a Mel, fêmea de mandril. Esses habitantes vivem há muito tempo no zoo e ganharam o carinho do público, de modo que a história deles se mistura com a do cidadão sorocabano.

Quem já visitou o zoo, provavelmente não saiu de lá sem antes conhecer o simpático casal de elefantes, Sandro e Haisa. Eles foram acolhidos no parque em 1991, após serem resgatados de um circo para garantir uma melhor qualidade de vida. Ambos já chegaram em uma idade considerada avançada para a espécie, e desde então, recebem os cuidados médicos apropriados, tentando deixá-los o mais próximo possível da vida livre.

Na natureza estima-se que um elefante possa viver em média 40 anos, e em cativeiro 60, pois nesta condição a expectativa de vida é sempre maior, já que os animais têm acompanhamento diário, cuidados médicos, alimentação controlada para evitar obesidade, e não tem predadores. Com os cuidados do zoo, Haisa tem aproximadamente 60 anos e o Sandro, estima-se 45, ultrapassando a expectativa de idade em vida livre na natureza.

Outro casal de idosos que chamam a atenção do público que passeia pelo parque é Yuri e Iara. Os hipopótamos são animais semiaquáticos cuja espécie, em conjunto com os elefantes e os rinocerontes, são os únicos sobreviventes da categoria de mamíferos chamada de mega-herbívoros. Yuri e Iara têm cerca de 40 anos cada um, e já tiverem 13 filhos juntos que foram cedidos, emprestados ou trocados com outros zoológicos do Brasil, contribuindo com a preservação da espécie.

“Um animal idoso, assim como o ser humano idoso, está mais vulnerável a doenças por conta da própria idade, como, por exemplo, as artroses, problemas renais, problemas degenerativos, problemas no coração, diabetes e o câncer, já que as células sofrem mutação e o corpo não tem mais a capacidade de regeneração, surgindo assim as células cancerosas. Nós trabalhamos e cuidamos para que o animal possa viver muito tempo e sempre com bem-estar, porque não basta só viver, é preciso viver com qualidade”, comenta o médico veterinário responsável pelo zoo, André Costa.

A macaca africana, muito querida pela equipe do zoo que a apelidaram de Mel, da raça mandril – espécie com a face colorida, que ficou famosa pelo filme “O Rei Leão”, é uma idosa de 45 anos e tem diabetes. Com isso, ela precisa tomar insulina todos os dias.

Para ajudar no seu tratamento, Mel passou por um trabalho de condicionamento, ou seja, um treinamento para que ela, por exemplo, se posicione para receber a aplicação subcutânea de insulina. Além disso, ela recebe uma dieta especial e realiza exames para o controle da glicemia. Mel também já teve catarata nos olhos e após cirurgias voltou a enxergar.

Ainda sobre primatas, outro querido do zoo é o chimpanzé Black, um senhor que está por volta dos seus 60 anos, idade bem avançada para um chimpanzé até mesmo em cativeiro, que chegou no zoo na fase adulta e já teve duas esposas.

O médico veterinário André Costa também diz que o zoológico pode funcionar como uma “arca de noé”, uma esperança para reproduzir animais que estão ameaçados de extinção. Além disso, ele conta que o foco principal é manter o bem-estar dos animais independentemente da idade e, os idosos que necessitam de cuidados especiais, merecem todo o respeito, pois, viveram no zoo a muito tempo, nada mais justo e digno que eles tenham uma terceira idade saudável.

Mudando dos mamíferos para aves, desde 1991 o zoo também é lar de três pelicanos, animais que têm uma característica especial única: uma grande bolsa sob o bico. Os pelicanos vivem em média 20 anos em vida livre e já estão há 40 em cativeiro. Estima-se que cada um deles tenha por volta de 40 anos, sinal de que o animal está sendo bem tratado e recebendo os cuidados essenciais.

O zoológico de Sorocaba é administrado pela Prefeitura, por meio da Secretária de Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema). Seus funcionários trabalham diariamente para manter a saúde de aproximadamente 1.200 animais de 300 espécies, entre anfíbios, répteis aves e mamíferos. A equipe do zoo realiza o cuidado dos recintos, oferece alimentação controlada e específica às espécies, e os cuidados médicos periódicos, que além das observações diárias, anualmente passam por um “check up” geral, com ultrassom, raio x, exames de sangue, exames dentários e oftalmológicos.

Ainda segundo o médico veterinário responsável, é muito importante para a seção de veterinária do zoo entender o processo de envelhecimento dos animais, para que consigam não só tratar melhor os que são jovens ainda, mas também entender o envelhecimento do próprio ser humano. Existem pesquisas científicas que correlacionam doenças humanas com doenças animais, como por exemplo o câncer e doenças infectocontagiosas, e se baseando nessas pesquisas, descobertas podem ser feitas.